28 de dez de 2016

Catequese litúrgica 2 = Liturgia e Epifania

Um tempo novo e um novo caminho se abre diante de nós no mês de Janeiro. Por isso, votos de feliz ano novo, abençoado e repleto das bênçãos divinas. Este é o primeiro sentimento que a Liturgia expressa quando celebra a Solenidade da Mãe de Deus, invocando na 1ª leitura a bênção divina para todo o povo, na certeza que somos necessitados desta bênção para iluminar nossos passos no decorrer de todo o novo ano.
A Palavra da Solenidade da Mãe de Deus, além da teologia e espiritualidade litúrgica da Maternidade Divina em Maria, considera também o contexto do Ano Novo, que se inicia com a intercessão pela paz no mundo inteiro. A bênção divina é a pessoa de Jesus Cristo presente na vida pessoal, na vida da comunidade e em toda a terra. O melhor modo de participar dessa bênção, diz São Paulo, é tornando-se filhos e filhas de Deus (2L da Solenidade da Mãe de Deus).

Tempo epifânico: adoração e conversão
Do ponto de vista da Teologia Litúrgica, as primeiras celebrações do Ano Litúrgico, depois do Advento, caracterizam-se como celebrações “epifânicas”. Isto em decorrência das celebrações natalinas, mas também presente no início da primeira parte do Tempo Comum.
A Epifania, do ponto de vista da Liturgia cristã, é a celebração da manifestação divina no mundo em Jesus Cristo. Deus que se manifesta em Jesus Cristo. — Para a Teologia Litúrgica Oriental, as celebrações litúrgicas são epifanias divinas, são manifestações da presença divina na terra em modo sacramental. — As celebrações que acontecem no início do Ano Litúrgico (que corresponde a dezembro e janeiro do mês civil) facilitam esta compreensão, porque nos ajudam a perceber como Deus se manifesta ao mundo, na pessoa de Jesus, o Verbo Encarnado, celebrado na Liturgia em sua dupla dimensão: memorial e compromisso de vida.
O primeiro momento (no mês de janeiro) encontra-se na Solenidade da Mãe de Jesus, quando a Sagrada Família manifesta (faz epifania) da glória divina deitada numa manjedoura aos pastores. Tal manifestação continua na Solenidade da Epifania propriamente dita, com a profissão de fé dos Reis Magos: “Vimos sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo!” Deus se manifesta como recém-nascido pobre e como luz que atrai todos os povos à adoração. Neste sentido, a Epifania não apenas vê, contempla, mas tem o compromisso de convidar a adorar o Deus único e verdadeiro. Consequentemente, o inverso disso consiste na necessidade de abandonar os ídolos e toda forma de idolatria antiga e atual. É a conversão existencial, representada nos Reis Magos que voltam por um caminho diferente depois de terem adorado o Menino Deus (Mt 2,12).

Vida iluminada pela luz divina: atraídos para Jesus
A Liturgia relacionada à Epifania divina demonstra que toda a humanidade pode ser iluminada com a luz divina, porque Jesus, o Filho de Deus, é a luz que veio para iluminar o mundo (Jo 1,8-13). Isto vem do simbolismo da “estrela guia” que conduziu os Magos até o presépio. Por isso, a Liturgia é Epifania enquanto conduz e acende a luz divina entre os celebrantes e os atrai para o encontro com Jesus. Esta é a definição da nova evangelização: evangelizar não é tanto explicar o Evangelho, mas promover o encontro com Jesus para fazer discípulos. Assim a Epifania é movimento evangelizador por atrair os celebrantes ao encontro com Jesus. Os Magos são o exemplo evangélico, neste sentido.
Também a celebração da Festa do Batismo do Senhor entra no contexto da Epifania, pela apresentação de Jesus, não feita pela sua família, como no presépio, mas feita pelo próprio Pai: “Eis meu Filho muito amado, escutai-o todos vós!” Jesus é manifestado (epifania) pelo Pai como seu Filho e como seu Servo.
A referência ao “Servo de Javé”, o escolhido especialmente por Deus para uma missão que o próprio Deus deveria realizar na terra, é Jesus. No contexto da Teologia da Epifania, a Liturgia não o apresenta somente como Filho de Deus, mas como “Servo de Deus”, o servidor de Deus, aquele que está entre nós para prestar um serviço a Deus em favor da humanidade. O Servo de Javé e sua missão, descritos por Isaias (Is 52,13-53,12), realiza-se plenamente em Jesus. O tema do “Servo de Javé” é celebrado pela Liturgia na Paixão do Senhor, de onde a Epifania ter uma ligação direta com o momento máximo do serviço que Jesus presta ao Pai em favor da humanidade.
Quanto aos celebrantes do Batismo epifânico de Jesus, estes recebem da celebração o compromisso concreto de viverem como filhos e filhas de Deus, como também, a exemplo de Jesus Cristo, o compromisso relacionado ao serviço. Em resumo, configurados a Jesus, no e pelo Batismo, o cristão assume a mesma dinâmica e a mesma proposta existencial do Mestre que veio não para ser servido, mas para servir (Mt 20,28).  


Epifania no início do Tempo Comum - A
A manifestação (epifania) de Jesus continua no início do Tempo Comum, no 2º Domingo do Tempo Comum – A (2DTC-A), mais precisamente, com a apresentação de Jesus pelo maior de todos os profetas, João Batista, que o manifesta (faz epifania) como o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo!
João é o terceiro personagem que “manifesta”, faz epifania da presença divina no mundo, na pessoa de Jesus. Primeiro foram José e Maria, depois o próprio Deus Pai e, agora, João Batista. Como de cada epifania se percebe uma atividade messiânica de Jesus, o mesmo acontece na epifania feita por João Batista, no início deste Tempo Comum: introduz Jesus na missão profética do Servo de Javé, aquele que tem a vocação de, pelo sacrifício, se tornar “cordeiro”, isto é, oferecer a própria vida como oferta pascal. A vocação profética do "Servo de Javé" realiza-se plenamente em Jesus Cristo, que trouxe para a terra e para toda a humanidade o projeto divino: o Reino de Deus. Um projeto a ser seguido por quem deseja morar com Jesus, isto é, tornar-se discípulo e discípula de Jesus (Evangelho do 2DTC-A). A consequência concreta, portanto, não é apenas conhecer Jesus como “Cordeiro de Deus”, mas entrar no discipulado.
A conclusão de todas estas celebrações epifânicas, realizadas no final do Tempo Natalino e início do Tempo Comum - A, retomam o tema da luz, que pode ser resumido na seguinte passagem Bíblica: “O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz!” (1L do 3DTC-A). É a profecia de Isaias que se realiza em Jesus, porque ele é a luz do mundo e trouxe o seu Evangelho para iluminar a terra com a luz divina. Novamente, o compromisso concreto do discipulado para não se viver nas trevas do mundo.
Do ponto de vista celebrativo, entende-se que todos que se fazem discípulos e discípulas de Jesus tornam-se iluminados e também iluminadores da luz divina, trazida por Jesus e seu Evangelho. É a dinâmica da evangelização: iluminar a terra com a luz do Evangelho. É pela evangelização, que o grande sonho humano coincide com o sonho divino de acender a luz do Evangelho para iluminar os corações de homens e mulheres tornando-os discípulos e discípulas. Isto tem seu início pela vivência das Bem-aventuranças, o coração do Evangelho, que é proclamada na última celebração Dominical de Janeiro (4DTC-A). Assim, depois da Epifania, depois de apresentar quem é Jesus, a Liturgia, pedagogicamente, inicia a formação dos celebrantes no discipulado.
Serginho Valle
2016


21 de dez de 2016

Catequese litúrgica 1 = O Natal é Epifania

O titulo afirmativo está correto: o Natal é Epifania. Embora nem sempre isto seja muito claro na Liturgia Ocidental, é mais evidente na Liturgia Oriental, onde o Natal, inclusive, é celebrado no dia 6 de janeiro, data na qual, nós na Liturgia Romana, celebramos a solenidade da Epifania. 

A nossa Liturgia Romana optou por diferentes celebrações epifânicas, no decorrer do Tempo do Natal, iniciando na véspera do dia 25 de dezembro até a festa do Batismo de Jesus, que conclui o Tempo Natalino. A rigor, a última celebração natalina, ou pelo menos ligada ao Natal, acontece no dia 2 de fevereiro, na Festa da Apresentação do Senhor ao Templo, quando Simeão canta o “Nunc dimitis”.
A opção da Liturgia Romana por celebrações epifânicas, além da celebração do Mistério Pascal nas celebrações natalinas, contém um elemento catequético a ser considerado. Seria melhor dizer pedagógico catequético. Em cada celebração existe uma catequese e uma pedagogia quanto ao modo como Deus se manifesta (epifania) e se faz presente como Emanuel, o Deus conosco, o Deus entre nós. Desta forma, entende-se que o Natal é uma Epifania, uma manifestação divina na história da humanidade. Como são “Epifanias” todas as celebrações que acontecem depois da celebração do Natal.
O modo como isso acontece, no contexto celebrativo do Natal, envolve vários acontecimentos que vão desde a Anunciação até o nascimento de Jesus, num presépio, em Belém. Deus se manifesta na gravidez da mulher, Maria. Deus que se manifesta como recém, nascido de uma mulher, da Virgem Maria. Deus que se manifesta como recém-nascido com um pai adotivo, José, se manifesta aos pastores que são conduzidos ao local do nascimento, atraídos por cantares e luzes angélicas (Lc 2,1-14).
Além disso, Deus se manifesta morando numa família humana (Sagrada Família), nascendo de uma mulher (Mãe de Deus, Maria), aos povos do mundo inteiro, representados nos Reis Magos (Epifania), no momento em que é batizado por João Batista (Batismo de Jesus).
O que mais chama atenção, do ponto de vista epifânico, é a escolha divina de se manifestar através da pobreza humana. Um modo que não corresponde às epifanias dos antigos reis e dos atuais líderes das nações: exibindo força e poder, revelando o medo oculto de serem atacados. Deus se manifesta, no Natal, de modo simples, pobre, vulnerável, desarmado, mostrando a coragem de se deixar tocar para se fazer mais próximo possível. 
Do ponto de vista catequético e pedagógico, o Natal manifesta, faz epifania, daquilo que a Teologia denomina como "kenosis": o despojamento da sua riqueza para assumir a pobreza humana. O Criador que se rebaixa para se fazer criatura e, deste modo, enriquecer-nos com a possibilidade de nos divinizar. Como diz Paulo, neste contexto da epifania divina no Natal: “de rico que era tornou-se pobre por causa de vós, para que vos torneis ricos por sua pobreza” (2Cor 8,9. Cf. Fl 2,6).
Serginho Valle 
2016. 


16 de dez de 2016

Procissão ofertorial

Concluída a Liturgia da Palavra, tem início a Liturgia Eucarística com os celebrantes participando da procissão ofertorial Eucarística. Vamos considerar três dimensões teológicas da procissão ofertorial. Num outro momento, consideraremos a dimensão ritual com seu processo comunicativo. As três dimensões teológicas que vamos considerar são a Eucarística e a fraterna e a simbólica.

Dimensão Eucarística da procissão ofertorial
Sim, Trata-se de uma procissão ofertorial Eucarística porque os celebrantes se dispõem a oferecer, eucaristicamente, isto é, como ação de graças, os frutos da terra e do trabalho humano, como reza a oração da apresentação das oferendas feita pelo sacerdote. É, portanto, um rito de quem se aproxima do altar com suas oferendas para agradecer a Deus o alimento que ele concede vida à humanidade. É uma procissão que testemunha o reconhecimento de que Deus abençoa a terra e o trabalho humano para alimentar a vida. 
Algumas canções do repertorio litúrgico ofertorial cantam esta dimensão de ação de graças, como por exemplo a canção "Bendito seja Deus Pai".  Diz a primeira estrofe: Bendito seja Deus Pai, do universo criador. Pelo pão que nós recebemos, foi de graça e com amor.”
Este contexto da dimensão ofertorial Eucarística, de ação de graças, ajuda-nos a entender a inadequação de alguns símbolos e sinais que se veem em algumas procissões ofertoriais. Exemplo típico desse fato é o costume de levar cartazes com frases ou pensamentos. Um dos critérios na escolha de sinais e símbolos ofertoriais tem a ver com agradecimento pelo dom da vida.
Isto tem também um alcance espiritual, que pode ser mencionado na monição que motiva a procissão ofertorial de cada Missa. O Evangelho de cada celebração como que determina quem é convidado a participar da procissão ofertorial de modo digno e quem precisa deixar sua oferta diante do altar para primeiro se reconciliar com irmão (Mt 5,24). Assim, se o Evangelho relatar a multiplicação dos pães, quem não partilha o pão com o faminto não é um convidado digno para estar na procissão ofertorial. A motivação de que todos precisam entrar na procissão ofertorial, mesmo se não irão colocar dinheiro no cesto, é um analgésico piedoso, especialmente para quem, espiritualmente falando, não é digno de ofertar algo no altar por estar em débito com o que pede o Evangelho.


Dimensão fraterna da procissão ofertorial
Outra dimensão da procissão ofertorial tem a ver com a fraternidade. Aqui estou falando da partilha fraterna. Esta está presente na coleta de bens realizada antes de levar os dons ao altar. A procissão ofertorial não oferece apenas os dons Eucarísticos — pão, vinho e água — mas oferece também dons para a partilha fraterna.
Em tempos que já vão longe, a coleta ofertorial fraterna acontecia colocando aos pés do altar mantimentos alimentares e vestuários. Respondia-se assim ao que Jesus dizia: "estive com fome e me destes de comer... Estive nu e me vestistes" (Mt 25,35-45). Aqueles mantimentos colocados ao pé do altar não eram para o padre, mas para os pobres, os prisioneiros, os  migrantes. Hoje em dia, temos um pálido resquício disso em algumas comunidades com as chamadas “campanhas do quilo”, cujos mantimentos deveriam ser levados ao altar no momento da procissão ofertorial e não depositando as espécies em cestas, no fundo da igreja. Quando assim é feito perde-se a chance de celebrar diante do Altar, no contexto celebrativo Eucarístico, a partilha fraterna. Mas, sempre é tempo de recuperar esse gesto e o seu profundo senso evangélico e evangelizador.
Com o passar da história, a partilha dos bens em espécie começou a ser substituída por dinheiro. A substituição aconteceu, a oferta é feita em dinheiro, mas a finalidade continua a mesma: aquele dinheiro levado na procissão ofertorial é uma coleta fraterna e não é para o padre e nem do padre; é para os pobres.  O padre já recebe sua espórtula pela celebração da Missa. Aquele dinheiro deveria ser destinado a comprar comida, roupas, remédios... para os pobres. O fundamento Bíblico é muito claro: se não partilhas a oferta Eucarística com os pobres, tua oferenda não tem valor (At 2,45; Pv 22,9). Com isso se entende que a oferta feita no altar também não tem nada a ver com a contribuição dizimista. Para isso existem outros momentos.  
Estranho é o sentido dado em algumas comunidades a se aproximar da cesta das ofertas e ali depositar “espiritualmente” uma oferenda da própria vida. É muito estranho porque a oferta, naquele momento, não é abstrata, mas é algo concreto para ajudar o pobre a ter o comer ou vestir.
                Entende-se assim que toda Eucaristia sempre mantêm um olhar fraterno para o pobre, os necessitados. Também esta dimensão fraterna da procissão ofertorial é cantada em algumas canções do nosso repertório litúrgico ofertorial. Lembro a canção "Daqui do meu lugar" que no refrão canta: Somos a Igreja do pão, do pão repartido e do abraço e da paz”. O mesmo tema encontramos na canção "Sabes, Senhor", que diz: Sabes, Senhor, o que temos é tão pouco pra dar. Mas este pouco, queremos com os irmãos compartilhar.”

Dimensão simbólica
                Por fim, a dimensão simbólica. Esta se faz presente nos dons Eucarísticos do pão, vinho e água. Dons que, como é fácil entender, mantêm uma relação estreita com a vida. Este é, com já mencionado acima, o critério para ser levar outros elementos simbólicos na procissão ofertorial: manter uma relação estreita com a vida e, além disso, serem dons que conduzem os celebrantes a dar graças a Deus pela vida.
                Assim, escolher como símbolo uma cesta de alimentos para ser conduzido juntamente com os dons Eucarísticos é uma boa escolha. Mas, não é uma boa escolha, neste sentido, levar cartazes com nomes de pastorais ou com frases de efeito. Levar na procissão das ofertas ferramentas que representam os trabalhos de uma comunidade é uma escolha que remete a vida e mantêm vínculo com o pão e o vinho.
                Juntamente com os dons eucarísticos, pode-se levar também símbolos que remetem ao compromisso cristão. Assim, na proclamação do Evangelho do “sal da terra e luz do mundo” (5DTC-A), realizar uma procissão com pessoas levando uma vela batismal acesa para acompanhar os dons, remete ao compromisso de ofertar os dons da terra e do trabalho humano testemunhando o empenho de ser sal e luz na comunidade.
Serginho Valle

2016

9 de dez de 2016

Arranjos florais, enfeites, símbolos e sinais

Arranjos florais, enfeites, símbolos e sinais são os elementos com os quais o ministério da ornamentação litúrgica se ocupa em diferentes celebrações. Por isso, é bom que os membros do ministério da ornamentação conheçam as diferenças para usá-los de modo eficaz na comunicação litúrgica e celebrativa. Cada um desses elementos terá oportunamente um desdobramento maior. Neste momento, a finalidade é chamar atenção para as diferenças gerais que existem entre eles.

Arranjos florais  
Os arranjos florais se caracterizam pela simbologia. São diferentes de um simples vaso com flores para enfeitar a igreja, pois têm uma proposta de ser mensagem simbólica formada pela composição floral. Isto significa a capacidade de saber escolher as flores, o modo de compô-las (arranjá-las) para favorecer a comunicação litúrgica em cada celebração particular. Neste caso, o arranjo não tem como fim ser uma obra estética para ser simplesmente admirada, mas uma composição floral para favorecer a mensagem celebrativa de uma celebração. O membro do ministério da ornamentação é alguém que, para bem realizar o seu trabalho, precisa ser parte integrante da Equipe de Celebração, uma vez que colaborará, com seu arranjo floral, na mensagem celebrativa de cada Domingo.

Enfeites na celebração 
Os enfeites, por sua vez, são contextualizados no tempo litúrgico, na festa ou solenidade que se celebra. Assim, no tempo natalino, os enfeites fazem referência ao Natal, como fitas vermelhas, bolas de pinheiro e outros adereços. No tempo da Páscoa, os enfeites são protagonizados por cores brancas e assim para cada Tempo Litúrgico.  Trata-se, portanto, de uma expressão do contexto, do clima celebrativo, no qual a celebração acontece. Neste caso, os enfeites, na celebração litúrgica, estão em nível de sinal, de indicação contextual do clima de cada celebração. 

Simbologia litúrgica 
Outra função do ministério da ornamentação é lidar com a simbologia litúrgica. Neste primeiro contato com as atividades do ministério da ornamentação, vamos destacar  duas atividades. A primeira diz respeito à valorização da simbologia litúrgica e celebrativa sempre presente. Considera-se neste aspecto o respeito especial pelo altar e pelo ambão. O membro do ministério da ornamentação deverá ter consciência que não se pode invadir tais espaços e muito menos anulá-los. O outro aspecto trata da criação de símbolos para celebrações especificas. Aqui se faz necessário o cuidado de não se cair na “simbolomania”, com a necessidade de se criar um símbolo para cada Missa, um símbolo diferente para cada celebração.

Sinais 
Por fim, os sinais também fazem parte da atividade do ministério da ornamentação. Pelos sinais demonstra-se o cuidado o zelo para com a celebração. Assim, por exemplo, uma toalha limpa sobre o altar é sinal de cuidado e atenção para com a Eucaristia. Um cálice bonito sinaliza respeito e o zelo para com a Eucaristia. Os sinais compreendem também a limpeza do local celebrativo... tudo aquilo, enfim, que sinaliza cuidado, zelo e carinho para com a celebração Eucarística.
Serginho Valle
2016




8 de dez de 2016

Liturgia Sacramental Eucarística

A celebração Eucarística é celebrada ao redor de duas Mesas: aquela da Palavra, o ambão, e aquela Eucarística, o altar. Os ritos realizados em ambas as mesas são chamados Liturgia da Palavra e Liturgia Sacramental respectivamente. Ambas se caracterizam pela presença sacramental de Jesus, na Palavra e nos dons eucaristizados. Nosso tema, sempre na ótica do processo da comunicação litúrgica, considera agora a Liturgia Sacramental Eucarística. 

Estrutura da Liturgia Sacramental Eucarística 
Como é próprio da comunicação Litúrgica, a Liturgia Sacramental acontece dentro de um processo comunicativo dialógico em suas diferentes linguagens. Estruturalmente, inicia-se com os ritos ofertoriais, passa-se aos ritos de ação de graças da Oração Eucarística e se conclui com os ritos da partilha Eucarística, encerrando-se com a coleta pós-comunhão. 
É uma comunicação totalmente dialogal: a Igreja, em seus celebrantes aproxima-se do altar e oferece seus dons. A resposta divina é a consagração dos dons e a presença sacramental de Jesus Cristo no meio da assembléia pela ação do Espírito Santo. Os celebrantes se aproximam novamente do altar e Jesus se reparte (se faz pão e vinho partilhado) para alimentar a todos, no rito da "fractio panos" (fração do pão). Por fim, o agradecimento e a súplica, da parte da Igreja, na coleta pós-comunhão. 
É uma estrutura comunicativa necessária de ser conhecida, considerando que cada momento tem um modo próprio de se comunicar. Um é o modo comunicativo de acolher, preparar e apresentar as oferendas. Outro é o modo de se comunicar no momento da Oração Eucarística e, diferente ainda, é o modo comunicativo nos ritos preparatórios para se participar da comunhão Eucarística. 
Num momento, a comunicação celebrativa realiza-se com movimentos — as procissões — depois a comunicação entra no silêncio — oração Eucarística —  depois se concentra em gestos de partilha — ritos de comunhão —. Cada um destes movimentos comunicativos serão tratar individualmente.
Serginho Valle  
2016. 


2 de dez de 2016

Ministério da ornamentação

Na Pastoral Litúrgica, o ministério da ornamentação é formado por pessoas que se ocupam com a ornamentação da igreja para as celebrações. O ministro da ornamentação distingue -se do enfeitador de igrejas, como aqueles que enfeitam a igreja para casamentos, enchendo a igreja de flores, folhagens, panos e espelhos... por motivos financeiros. O ministro da ornamentação é alguém preparado liturgicamente para prestar um serviço gratuito e generoso à celebração e, consequentemente, aos celebrantes, naquilo que favorece o bom desenvolvimento e facilita a comunicação na celebração litúrgica. Por isso, a necessidade de conhecer o processo comunicativo da celebração litúrgica, sua teologia e a especificidade de cada celebração. 
O ministério da ornamentação não se limita somente à ornamentação do espaço celebrativo da Missa, se bem que será sobre isso que iremos tratar neste e em outros textos sobre este tema. A atividade do ministério da ornamentação diz respeito a todos os sacramentos, inclusive às celebrações matrimoniais. Estas deveriam ficar a encargo de quem faz parte da Pastoral Litúrgica da comunidade e não de floriculturistas que, em sua grande parte, demonstram conhecer pouco ou quase nada da Teologia celebrativa matrimonial e nem de Liturgia. Disto são provas algumas ornamentações que em nada contribuem para uma celebração liturgicamente cristã.
Mas, sobre isso falaremos em outra oportunidade nosso assunto, agora, é a ornamentação para celebração Eucarística e, mais especificamente, o ministério da ornamentação em uma comunidade paroquial.

Ornamentação celebrativa  
Quando alguém se dispõe a trabalhar com a ornamentação, na Liturgia, precisa ter em mente que seu trabalho, como dito acima, não tem a finalidade de enfeitar a igreja, mas de favorecer a participação dos celebrantes na celebração. Isso significa que a pessoa se coloca a serviço da celebração e dos celebrantes. De onde a necessidade de ter presente que seu trabalho não tem, em primeiro lugar, finalidade estética — embora esta seja essencial — mas sim celebrativa. Podemos falar de estética a serviço da celebração. Quando falo que a principal finalidade encontra-se na celebração, entendo que o resultado final, esteticamente bonito, é um trabalho feito para favorecer a participação visual da celebração, no contexto espacial celebrativo. O ministério da ornamentação age no campo da comunicação visual e espacial. Dois temas que também trataremos mais adiante.

Conhecer o espaço celebrativo 
Elemento importante que diz respeito ao ministério da ornamentação é o conhecimento do espaço celebrativo e sua função no processo litúrgico da celebração. Isso tem a ver também com o "mobiliário" da celebração, especialmente os locais onde a celebração acontece: altar, ambão, cadeira presidencial, espaço reservado aos ministros... Todos esses espaços já estão contemplados aqui no meu blogger e podem ser facilmente consultados.
O conhecimento do espaço celebrativo se faz necessário para não correr o risco do arranjo ou de um símbolo ser colocado em locais indevidos. O mesmo vale para o tamanho e o volume, do arranjo ou do símbolo, para não esconder o local onde a celebração acontece e, pior que isso, esconder o ministro que preside ou que participa de algum rito. 
Tais considerações ajudam a compreender que o arranjo é índice, quer dizer, indicativo para valorização de um espaço; para dar destaque ao espaço celebrativo. O arranjo não é mais importante que o altar, mas ali está para valorizar o altar e mostrar sua importância. Não é mais importante que o ambão, mas favorece a valorização do ambão e da Palavra ali proclamada. Qualquer ornamentação que invada ou prejudique o espaço celebrativo está mal feita, mesmo sendo, esteticamente falando, uma obra de arte. 

Não só arranjos florais 
Para concluir, um lembrete. O ministério da ornamentação não se ocupa somente com arranjos florais, como já dei a entender em alguns tópicos no decorrer do meu texto. Ocupa-se também da criação de símbolos e sinais que, eventualmente, são usados na celebração. Sobre este assunto, a criação da simbologia celebrativa também trataremos neste espaço oportunamente.
Serginho Valle 
2016 



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