19 de out de 2016

Evangelho na Missa

Depois de comentar sobre as leituras e o salmo responsorial, vamos considerar alguns aspectos do Evangelho, no contexto da Liturgia da Palavra da celebração Eucarística. 
O Evangelho é o ápice da Liturgia da Palavra em todas as celebrações litúrgicas, mas isto é demonstrado de modo mais evidente na celebração Eucarística.
Do ponto de vista celebrativo, toda a Liturgia da Palavra converge para o Evangelho e tudo, na Liturgia da Palavra, ilumina-se no  Evangelho. O Evangelho, portanto, está no centro da Liturgia da Palavra, iluminando a compreensão das leituras e do salmo responsorial. O Evangelho é a principal fonte inspiradora da homilia, da profissão de fé e da oração dos fiéis.  Além disso, num contexto mais amplo, o Evangelho ilumina e conduz celebração Eucarística como um todo.
Sendo o centro da Liturgia da Palavra, o Evangelho recebe todo respeito todas as honras e homenagens, através de diferentes ritos. Isto tem seu fundamento no fato que o Evangelho é uma forma de presença de Jesus Cristo na assembléia; ou seja, é próprio Jesus Cristo que proclama o Evangelho, que continua proclamando o Evangelho, na assembléia. Por isso, quando se proclama o Evangelho é Jesus presente que fala  em nosso hoje e na realidade da nossa comunidade e para a realidade da comunidade. 

Aclamação ao Evangelho 
Considerando o que se disse sobre a proclamação do Evangelho, entende-se que os ritos que preparam e que conclui o Evangelho são ritos aclamativos, de acolhida e de louvor a Jesus Cristo, presente no Evangelho. Sobre os ritos aclamativos dedicarei uma reflexão especial oportunamente. No momento, vale repetir tratar-se de ritos para aclamar o próprio Jesus que irá anunciar o Evangelho e, na aclamação pos proclamação do Evangelho, um rito para acolher, bendizer e  s comprometer com o que Jesus anunciou. 

Livro  do Evangelho: o Evangeliário
Sendo o momento mais importante e o ápice da Liturgia da Palavra, a simbologia que interage com a assembléia precisa estar a altura. É o caso do livro dos Evangelhos usado na Liturgia Eucarística: o Evangeliário. 
O Evangeliário é considerado o livro mais importante da Liturgia. Concordo com os colegas liturgistas que definem o Evangeliário como o “único livro litúrgico”, com direito de ser depositado sobre o altar, no mesmo local onde é depositado o Corpo e Sangue do Senhor, depois da consagração. Nossa Liturgia não usa a Bíblia em suas celebrações, nem da parte de quem proclama o Evangelho e nem da parte do povo, que participa da proclamação do Evangelho, ouvindo. A proclamação do Evangelho é um rito de escuta. Por isso é estranho acompanhar a proclamação do Evangelho lendo o texto num folhetinho ou em outros materiais ou até mesmo na Bíblia. No  momento da proclamação do Evangelho, todos os olhares e o próprio corpo se volta para o ambão e para o Evangeliário. Por isso, os folhetos deveriam ser colocados de lado e os datashows desligados. Olhares e ouvidos voltados para o ambão, de onde fala Jesus Cristo. Trata-se, repito, de um rito de escuta, simbolizado inclusive na posição do corpo voltada para o ambão.
Dada a importância do Evangeliário como único livro Litúrgico, este é tido na condição de sacramento, presença de Jesus. Por isso, ele é guardado com todo cuidado fora da Liturgia e, na celerbação, é colocado sobre o altar, é conduzido em procissão, incensado e beijado. 
Diante de tão grande símbolo não tem como não considerar ridículo o uso de folhetos para proclamar o Evangelho. Cresce o ridículo quando a desculpa é transferida para o conteúdo, de que o mesmo texto encontra-se tanto no Evangeliário como num folheto ou num livreto. Típico pensamento de quem não compreendeu o processo comunicativo litúrgico da proclamação do Evangelho e nem a riqueza simbólica do Evangeliário. 

Local da proclamação 
Sobre o local da proclamação, o ambão, já comentamos em, pelo menos, dois ou três artigos. Neste momento, basta acrescentar que, sendo o momento ápice da Liturgia da Palavra, o local da proclamação do Evangelho é o ambão, uma Mesa especial para acolher o Evangelho. O padre ou diácono não proclamam o Evangelho da cadeira presidencial e menos ainda do altar, porque o altar não a mesa da Palavra, mas Mesa da Eucaristia. 
Também o ambão é modificado no momento da proclamação do Evangelho. Se no momento da proclamação das leituras e do salmo responsorial, o ambão não recebe nenhum outro símbolo, no rito da proclamação do Evangelho, o ambão é ladeado por ministros, dois ao menos, segurando velas processionais (aquelas velas grandes em candelabros de procissão). Indicação visível de homenagem a Jesus anunciador da Boa Nova.  Ainda mais, é no ambão que o Evangeliário é incensado, um rito que dignifica a importância do momento celebrativo.

Proclamador do Evangelho 
Também o proclamador do Evangelho é especial: diácono ou padre. O leigo, a leiga, o seminarista, a freira... Ninguém recebeu a ordenação para proclamar o Evangelho. É o diácono ou o padre que proclamam agindo in persona  Christi. Trata-se de um conceito equivocado querer igualar funções rituais litúrgicas, atribuindo a proclamação do Evangelho a pessoas não ordenadas.

O Evangeliário fora da celebração 
O respeito para com o Evangeliário continua depois da celebração, como já referido de passagem. Ele não é guardado junto com os demais livros e como os demais livros, disposto lado a lado numa estante. O Evangeliário é conservado na sacristia com cuidados especiais, indicativo de todo respeito do qual é merecedor e daquilo que ele represente na celebração Eucarística.
Hoje, muitas comunidades latinas adotaram o belo costume da Liturgia Oriental de guardar o Evangeliário dentro de uma teca especialmente preparada para esta finalidade. Outras comunidades o colocam no armário central da sacristia exposto por uma portinha de vidro. Há os que o guardam envolvido num véu ou num pano especial. Tudo demonstrando o valor e o respeito para com o Evangeliário.
Serginho Valle
2016


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