28 de nov de 2015

As velas da Coroa do Advento

Um significado catequético e ilustrativo das quatro velas da coroa do Advento para ajudar na compreensão e celebração de cada Domingo. De modo geral, sabemos que cada vela representa um dos Domingos do Advento. Com o tempo as mesmas começaram a ganhar nomes. Assim, a primeira vela chama-se VELA DO PROFETA, considerando as profecias do nascimento de Jesus. A segunda vela é chamada de VELA DE BELÉM, recordando o local do nascimento de Jesus. A terceira vela é chamada de VELA DOS PASTORES, recordando sua visita ao presépio e a quarta vela é a VELA DOS ANJOS, lembrando a festa angélica no dia do nascimento de Jesus.

Tais significados promoveram a coloração das velas, a primeira vela é roxa, a segunda vela é verde, a terceira vela é vermelha e a quarta vela é branca. De minha parte, denominaria as duas primeiras velas da Coroa do Advento como VELAS DA VIGILÂNCIA, considerando que os dois primeiros Domingos do Advento celebram o anúncio e a vigilância em vista do final dos tempos. Por isso, duas velas roxas, indicando tanto a vigilância como a penitência em vista da conversão. As outras duas velas, eu as denominaria de VELAS DA ALEGRIA. A do 3º Domingo do Advento, uma vela cor de rosa, por ser a cor litúrgica deste “Domingo gaudete” e, a quarta vela de cor vermelha, pela proximidade do Natal, demonstrando alegria e paz.

Em muitos países existe ainda uma quinta vela na Coroa do Advento, chamada a VELA DO NATAL. É uma vela maior (não do tamanho do Círio Pascal), artisticamente trabalhada para representar a luz divina que trouxe o nascimento de Jesus.

A coroa do Advento tem a finalidade de indicar a proximidade do Natal, por isso remete à preparação espiritual do Natal. A mesma pode ser substituída por outro arranjo simbólico, considerando os elementos básicos, isto é, as quatro velas e as indicações natalinas.

Nos dois primeiros Domingos do Advento, a coroa é simples, constando apenas com as quatro velas. No terceiro Domingo, dada a celebração invocar a proximidade do Natal, acrescentam-se bolas coloridas ou outros símbolos natalinos na coroa.
(Serginho Valle)


25 de nov de 2015

Qual padre celebra, hoje?

Algumas comunidades têm mais de um padre. E como ninguém é igual a outro alguém, é comum haver comparações. Preste atenção nas preferências. Um se agrada mais do padre alegre, sorridente. Outro tem preferência pelo padre quieto, que celebra de modo mais silencioso, que conduz a celebração pelos caminhos do silêncio e não tanto pela animação de palmas e gestos. Tem aquele que se identifica com o modo de um padre presidir batizados, de ouvir confissões, de celebrar a Eucaristia. E tem outros que não o suportam. Questão de gosto, não de discussão, é claro! Tudo muito natural; não há nada de errado nisso. Pode ser uma questão de simpatia ou antipatia por alguém ou, simplesmente, uma preferência pelo jeito de celebrar. E, além de tudo, cada padre, com seu jeito, não celebra sozinho, celebra com a comunidade e a comunidade celebra com o padre.
            Vamos procurar ligar alguns pontos. Primeiro: quem celebra não é o padre sozinho, ele celebra com a comunidade, reunida em assembleia. Segundo: a celebração não é do padre, é de toda a comunidade. Terceiro: o sujeito da celebração litúrgica é a comunidade reunida em assembléia. Pode, então, surgir duas perguntas: se é a comunidade quem faz a celebração, o que o padre faz lá na frente do povo durante as celebrações litúrgicas? E na Missa; não é o padre quem faz a missa? 
            É fácil entender as razões. O sujeito da celebração, quem faz a celebração litúrgica é a comunidade, a Igreja reunida em assembléia. O padre também faz parte da comunidade. Ele fica lá na frente porque, na celebração litúrgica, presta um serviço celebrativo: o serviço de presidir ou dirigir a celebração. Na Missa, o padre é o presidente, não no sentido de que manda na celebração, mas que preside a celebração. Isso não significa, em absoluto, que o padre seja o dono da celebração. A celebração litúrgica, da Missa e de todos os Sacramentos, pertence a toda comunidade reunida em assembleia, presença viva da Igreja, embora o modo de presidir conte muito e quase sempre favorece ou impede uma boa participação celebrativa.
            O modo de presidir tem a ver com o modo comunicativo da linguagem litúrgica. Quanto a isto, infelizmente, nem todos os padres a dominam a contendo. Alguns entendem que se comunicar bem na Liturgia é “apresentar” a Missa e, em vez da presidência litúrgica, assumem o papel de animadores da assembleia, com convites para bater palmas, levantar as mãos, cantar mais alto, além do exercício visual de fechar e abrir olhos. Alguns fazem exatamente o oposto e celebram de modo seco, quase como leitores de Missal ou de folhetos. Mas, este é um assunto que voltarei oportunamente, quando tratarei da arte de celebrar.
Tem ainda, e não em pequeno número, aqueles padres que dominam a arte da comunicação litúrgica. São aqueles que sabem dosar a palavra e o silêncio, conhecem o tom afinado para se cantar na celebração e equilibram a participação dos celebrantes com palavras, silêncios, canções e gestos próprios e comedidos para cada rito. Celebração bem presidida não aquela na qual se excede em canções, palavras, silêncios ou gestos e ritualidades, mas aquela que obedece o equilíbrio celebrativo proposto pela Igreja, para favorecer a oração, a reflexão e a adoração.
Serginho Valle


20 de nov de 2015

Hagios o Theos

“Hagios o Theos” é uma antiga expressão grega usada como refrão durante os impropérios (lamentações) da Sexta-feira Santa. A tradução literal é “Ó Deus Santo”. Esta aclamação “hagios o Theos” mantém relação com outras aclamações gregas, na Liturgia, como por exemplo o “Kyrie eleison”, traduzido em português como “Senhor tende piedade de nós”.


O refrão “hagios o Theos” deriva do hino de louvor a Javé, que se encontra em Is 6,3 e, também no Ap 4,8. Muitas fontes da História da Liturgia confirmam que a expressão “hagios o Theos” — Ó Deus Santo, Santo e poderoso, Santo e imortal, tende piedade de nós — foi composto pelo Patriarca Proclo (434-446). Um hino composto igualmente para combater as heresias, fazendo assim com que a Liturgia reze aquilo que crê e, pedagogicamente, confirme os celebrantes na fé. 

18 de nov de 2015

Cerimônia ou celebração?

Em tempos idos, a Liturgia era considerada a cerimônia oficial da Igreja. Era no tempo que os católicos iam à igreja para assistir Missa, ver batizados, ver a crisma... Era comum, pois, ouvir falar em cerimônia da Missa, cerimônia do Batismo, cerimônias religiosas.
            Antes de continuar, gostaria de fazer um parêntesis, para considerar um dado. Do ponto de vista da teoria da comunicação, a assistência é considerada uma forma de participação. Trata-se, contudo da assistência empática ou simpática; não apática. Nos dois primeiros casos, empática e simpática, o assistente participa (toma parte) do que vê e escuta, como por exemplo, numa competição esportiva ou num cinema; ele não compete, mas se emociona com o acontecimento e participa pelo envolvimento emocional. Como ainda, na assistência de um filme, que toma parte das cenas de modo empático, sofrendo, rindo, sentindo medo, criando expectativas com as cenas. Diferente é a assistência apática, na qual se vê um fato e nele se é incapaz de tomar parte. Está presente, mas é indiferente porque sabota a participação. A apatia é um impedimento à participação. É desta assistência que estamos nos referindo em casos de celebrantes que permanecem alheios a tudo. A pessoa não celebra, não se faz celebrante.
            Há 50 anos, com o Concílio Vaticano II, a Igreja mudou o modo de entender a Liturgia. Você que freqüenta a Liturgia não ouve (não deveria ouvir) mais falar de cerimônia litúrgica. Hoje se diz celebração litúrgica; celebração da missa, por exemplo, celebração do Batismo, celebrar a Penitência. A Liturgia não é uma cerimônia, embora feita de ritos, mas que é apresentada por alguém. A Liturgia é celebração porque envolve quem nela se faz presente.
            A cerimônia diz respeito ao modo exterior de um ato ou de atos ritualizados. Uma série de ritos que alguns realizam e outros assistem. Pede presença, mas é possível não ter algum envolvimento, ou ter um envolvimento protocolar como, por exemplo, aplaudir algum discurso. Celebração, ao contrário, envolve a vida e exige participação. Não se pode pensar em celebração sem participação, porque a participação é uma exigência da celebração; é algo intrínseco ao celebrar. A cerimônia está ligada a formalismos e prescrições. Alguém faz, outros assistem e mantém uma certa distância. Vê ritualismos, mas não toma parte nos ritos. É fácil perceber a diferença entre cerimônia e celebração e mais fácil ainda é sentir esta diferença. Mas, o mais importante está no fato que toda celebração está ligada à recordação de algo importante, seja um acontecimento, seja uma pessoa. Por isso, na Liturgia celebra-se um acontecimento, celebra-se uma pessoa. Celebra-se o acontecimento da História da Salvação e celebra-se a pessoa de Jesus, celebra-se a ação divina no meio do povo e celebra-se o próprio Deus agindo no povo.
            A este ponto é evidente que não é possível confundir Liturgia como a cerimônia oficial da Igreja. A Liturgia é mais que cerimônia; é memória: recorda uma pessoa: Jesus Cristo; recorda um acontecimento: o Mistério da Salvação de Deus. Cerimônia não rima com Liturgia. Afinal, nós não fazemos cerimônia a Jesus Cristo nem à Salvação. Fazemos memória, no sentido teológico de “memorial” de tornar atual; atualizar. Memória com o significado de “recordar”, da palavra latina “re+cordis”: trazer de novo para o coração dos celebrantes, para o coração da Igreja, para o coração do mundo. Na Liturgia, portanto, celebramos Jesus Cristo, celebramos a Salvação, celebramos nossas vidas com Cristo, por Cristo e em Cristo.
Serginho Valle

16 de nov de 2015

Gaudete - Domingo gaudete (3º Domingo do Advento)

Guadete é uma palavra de origem latina que significa “alegrai-vos”. É o convite da antífona de entrada do 3º Domingo do Advento, que expressa a alegria pela proximidade do Natal de Jesus Cristo. Por este motivo, o 3º Domingo do Advento é também conhecido como “Domingo gaudete” — Domingo da alegria. Esta alegria, no 3º Domingo do Advento, não se expressa somente pela proclamação da antífona de entrada, mas também pelo discreto uso de flores no espaço celebrativo e pela cor rósea, presente nos paramentos sacerdotais, diaconais e nas vestes celebrativas de quem irá exercer algum ministério na celebração.  
O uso discreto de flores tem um motivo simbólico: expressar a alegria espiritual da Virgem Mãe. Uma alegria que ainda não pode ser totalmente extravasada, como de uma mãe que está grávida, que não saltar de contentamento, mas está alegre, feliz de modo moderado, pois ela e a criança precisam de cuidados especiais. É aquela alegria que enche o coração, mas que ainda não pode ser dançada. É uma alegria acalmada, apaziguada que transborda no sorriso e na serenidade do rosto.
Ainda no 3º Domingo do Advento é acontece o primeiro anúncio do Natal. Os dois primeiros Domingos do Advento são destinados à preparação da 2ª vinda de Jesus. De onde não ser litúrgico preparar o espaço simbólico, por exemplo, com motivos natalinos, logo nos primeiros Domingos do Advento. Nos dois primeiros Domingos do Advento, o espaço simbólico tem unicamente na coroa do Advento sua manifestação principal, indicando a luz da vigilância, em vista do anúncio do final dos tempos. É, pois, no 3º Domingo do Advento, que a Igreja começa a se alegrar com a proximidade do Natal de Jesus Cristo, manifestando-se com flores, com a cor rósea e com os primeiros sinais do Natal, no seu espaço celebrativo.

Cf. IGMR: 347
Serginho Valle

4 de nov de 2015

A Liturgia mudou!

Os mais novos não lembram. Quem está na faixa dos 30 aos 35 também não lembra como era celebrada a Liturgia há anos atrás. Já ouviram falar que a língua litúrgica era o latim. Escutaram os antigos dizer que os padres celebravam a missa de costas para o povo. Alguns chegam até mesmo a se rejubilarem não terem vivido naqueles tempos, porque, segundo contam seus avós, a Missa era bem mais longa que hoje em dia. Muita coisa mudou mesmo, em termos de celebração litúrgica.
            Mudou no jeito de celebrar, é claro. O modo de celebrar era diferente, mas a razão pela qual se celebrava sempre foi a mesma em todos os tempos. Mudou muita coisa: o local do altar mudou; antes era colado na parede do fundo da Igreja, agora está na frente, visível a todos. Mudou o espaço ocupado pela presidência do padre. Antes era lá em cima, perto do altar, agora, ele está mais próximo do povo e preside boa parte da celebração da cadeira presidencial. Mudaram os paramentos do padre. Antes o padre usava de cinco a seis peças para celebrar a missa. Hoje o padre usa duas ou três, a túnica, a estola e a casula.
            Tantas coisas mudaram na celebração. Mudou também o jeito de entender a celebração. Há anos atrás se dizia: “eu vou assistir a missa”. Hoje se diz: “eu vou participar da missa”. Verdade que alguns ainda insistem em falar “assistir missa”, mas ou é por costume, ou é porque ainda não prestou atenção que a missa mudou e que não dá mais para ser assistida de modo passivo. Mudou o jeito do povo se comportar na Igreja. Antes o povo ficava rezando o terço ou ladainhas ou fazendo novenas para santos e santas durante a missa. Hoje, não tem sentido rezar o terço durante a Missa, por exemplo. Quem vai à missa, reza o terço depois, faz as novenas outra hora, mas não durante a missa. A Missa é celebração.
Mudou ainda algumas coisas com relação à música. Antes o coral cantava a Missa praticamente sozinho e o povo participação ouvindo. Eram cantos polifônicos, em latim ou em português. O povo escutava. Era bonito (quando o coral cantava bem). Hoje toda a assembléia é convidada a cantar ou a alterar canções entre o coral, o ministério da música e a assembléia. Alguns não cantam, por desafinação, outros por vergonha e outros porque ainda estão no modo antigo e preferem ouvir música na igreja, embora o “ouvir musica” seja um modo de participar e até mesmo de rezar.
            Quanta coisa mudou na nossa Liturgia. Quanta coisa! Leitura? Quem fazia leitura antigamente? Era só o padre. Lia em latim. Poucos entendiam. Mulher fazer leitura? Nem pensar. Aliás, era até mesmo proibido que a mulher subisse no presbitério, quanto mais ler. Hoje não, a mulher lê na Igreja e recebem o ministério do leitorato.
            E a distribuição da comunhão. Só padre. Hoje os leigos ajudam na distribuição da Eucaristia; homens e mulheres. Às vezes algumas pessoas não comungam com os ministros ... Por que será? Será que pensam que Cristo é menos Cristo quando dado por um irmão ou irmã leigo? Ou será que o Cristo da hóstia consagrada que o padre dá está mais presente? Fatos assim indicam que muitos ainda precisam mudar, passando de expectadores para celebrantes.
            A Liturgia mudou não para ser “apresentada” a uma assembléia celebrativa, mas para ser melhor participada e comungada. Às vezes, na ânsia de novidade, alguns padres ou ministérios celebrativos confundem participação com animação e, em vez de celebrar orando, celebrando com cantorias, gesticulações e palmas a todo instante e abolindo o silenciar. Falo dos excessos. Não foi para isso que a Liturgia mudou. Mudou para ser mais participativa, com um novo jeito de se comunicar celebrativamente, não para transformar o padre em animador de auditório e os músicos, por exemplo, em bandas. Se a Liturgia mudou, hoje há a necessidade de mudar algumas mentalidades para entender o sentido e a finalidade das mudanças para celebrar liturgicamente.
Serginho Valle

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