15 de jul de 2017

Secreta da comunhão

A oração “secreta” dos ritos preparatórios para a Comunhão Eucarística obedece a mesma função, a mesma finalidade e a mesma dinâmica das outras orações secretas já avaliadas aqui no blogger. Trata-se de uma oração silenciosa feita exclusivamente pelo padre. O Missal Romano propõe duas fórmulas para a secreta antes da comunhão.

Conteúdo oracional
            A primeira secreta é dirigida a Jesus Cristo, reconhecendo que ele é o Filho do Deus vivo, aquele que realizou plenamente a vontade do Pai. O texto faz uma breve anàmnesis (memorial), que se conclui reconhecendo que toda a ação salvadora de Jesus Cristo, em favor da humanidade, foi realizada juntamente com o Espírito Santo. Quer dizer, o Espírito divino age e colabora na ação salvadora de Jesus Cristo. Faz-se memória, em outras palavras, da Salvação como obra Trinitária.
A segunda parte desta primeira secreta apresenta, sempre em forma memorial, o modo como Jesus oferece a Salvação divina à humanidade e como ele a realizou através da sua morte, na Cruz. Esta é tratada como árvore que produz frutos de vida nova.
Por fim, a parte conclusiva é aquela intercessora, suplicando o perdão dos pecados, o livramento do mal e da maldade e a graça de, “pela comunhão do vosso Corpo e pelo vosso Sangue”, ser capaz de viver sempre fazendo a vontade divina, a exemplo do próprio Jesus que viveu fazendo a vontade do Pai.
A segunda fórmula da secreta antes da comunhão é mais breve e tem uma linguagem mais objetiva, toda formatada num contexto suplicante. Dirige-se a Jesus Cristo, presente no Sacramento Eucarístico, diante dos olhos do padre, portanto, intercedendo que a Eucaristia — Corpo e Sangue do Senhor — não seja motivo de condenação, mas sustento e remédio para a vida. É uma dimensão que pode ser relacionada com a missão sacerdotal, enquanto sustento para a vida e caminhada do sacerdote em sua atividade evangelizadora, pela qual anuncia a Salvação divina.

Comunicação litúrgica
            Do ponto de vista da comunicação litúrgica, o rito da secreta antes da comunhão é realizado pelo padre com a participação e a sustentação orante silenciosa dos celebrantes. É um rito silencioso e cumpre a função de fazer uma pausa silenciosa antes de se aproximar da Mesa Eucarística. Por isso, a realização deste rito por toda a assembléia rompe o propósito de silenciar antes da comunhão e introduz a “falação”.
            Por que somente o padre? Do ponto de vista espiritual, o padre reconhece-se beneficiado da graça de alimentar sua vida pessoal e sacerdotal (que deve ser uma unidade) e intercede o dom da santidade, isto é, a participação na vida divina. Claro que isso é compatível igualmente para os celebrantes, mas no caso específico, o padre como que refaz sua vocação, ele que recebeu a Ordenação para alimentar o povo com a mesma vida divina que tem em suas mãos, no Pão e no Vinho Eucaristizados. A esse momento, os celebrantes se unem com a oração pessoal silenciosa, preparando-se para a comunhão Eucarística.
Serginho Valle

2017

7 de jul de 2017

A formação e a criatividade do ministro da ornamentação

O ministério da ornamentação não se caracteriza como um grupo de pessoas que enfeitam a igreja para celebrações. Já comentamos esse aspecto e esta dimensão reducionistas do ministério da ornamentação em nossas comunidades. A composição floral e simbólica do espaço celebrativo tem a ver com a celebração e como que exige um conhecimento básico de comunicação simbólica litúrgica para o bom exercício das atividades do ministério da ornamentação na comunidade. 
A competência para exercer tal finalidade, além do talento artístico, pede uma estrutura formativa planejada e orgânica. Se a boa vontade ajuda, no inicio, esta não tem condições de se sustentar por muito tempo. Ou seja, somente boa vontade não é suficiente. É preciso, portanto, propor sempre novos elementos e estes são passados e aprofundados por meio da formação, de leituras, de cursos, de pesquisas, de estudos e de interação com o mundo da arte e da curiosidade sadia que vive em todo artista. A criatividade pode nascer da intuição e “do nada” (um de repente), mas quase sempre aparece à medida que se lida e se está em contato com a arte. É uma espécie de contágio, de se deixar contagiar pela beleza da arte.
O ministro da ornamentação necessita de bom conhecimento da Liturgia, especialmente naquilo que se refere ao contexto e ao processo comunicativo da celebração litúrgica. Isto significa conhecer a dimensão pedagógica do Ano Litúrgico e a prática de meditar e refletir a celebração a qual deverá prestar seu serviço como arranjador, a refletir a celebração do ponto de vista litúrgico-celebrativo, a entender a proposta artística que cada celebração inspira. Algo que exige dedicação e aprendizado, uma iniciação em vista de se fazer o melhor, de realizar algo qualificado. Com o tempo, isso começa a fazer parte da bagagem do metier, que se chama “experiência pessoal”.
Outro elemento importante na formação dos agentes do ministério da ornamentação é aprender a ser criativo com o que se dispõe. É claro que é mais fácil criar e propor arranjos belíssimos quando as condições econômicas favorecem. Propor a apresentar símbolos atraentes quando se tem condições financeiras. Mas, essa nem sempre é a realidade da maior parte das nossas comunidades, por isso a necessidade de ser criativo e fazer o que pode ser feito com o pouco. Este pouco tem a ver, literalmente, com poucos recursos financeiros.
Isso de fazer bem com poucos recursos exige, por exemplo, o aprendizado de técnicas de conservação e armazenamento de flores, o aprendizado de técnicas de reciclagem, o uso de materiais de fácil acesso no local da comunidade para a criação e confecção de elementos simbólicos. E, neste caso, quando mais desafiante for, mais prazeroso é o trabalho e mais admirado é o resultado deste trabalho.
Importante igualmente, aprender a ser criativo com plantas típicas da região. Se houver bambu, criar arranjos com bambus, havendo muitas flores do campo, com essas aprender a fazer arranjos. Jesus não foi a uma floricultura chique para falar dos lírios do campo; ele os via nos caminhos por onde passava. Neste contexto, aprender a fazer arranjo com vegetação nativa é um modo prático de ser criativo, além de ser econômico, não deixa de ser um belo exercício de inculturação. 
Declinei apenas alguns elementos. Existem muito mais, é evidente. Mas estes poucos elementos são suficientes para se perceber como pode ser desafiador o serviço ministerial do ministro da ornamentação, especialmente onde as necessidades o obrigam a ser ainda mais criativo. E é aqui que se encontra o lado bonito de quem sempre quer fazer bonito diante de Deus e da comunidade.
Serginho Valle  

2017 

30 de jun de 2017

Processo pedagógico da Liturgia, um exemplo

As celebrações que compõem o Ano Litúrgico, além de celebrar os Mistérios de Cristo, exercem também atividade e função pedagógica em vista do discipulado. Ou seja, os celebrantes, de celebração em celebração — seja semanais como Dominicais — vão sendo plasmados e convidados a crescer no seguimento a Jesus, através do discipulado. Isso não significa reduzir a celebração litúrgica a encontros de catequese, mas ressaltar que o “modus celebrandi”, enquanto tal, é pedagógico e vai transformando o celebrante em discípulo e discípula de Jesus. Papel importantíssimo nessa função é a homilia.
À medida que se celebra a Liturgia, esta vai libertando os celebrantes de suas cadeias, de prisões que ele criou para si ou que lhe impuseram. Na solenidade de São Pedro e São Paulo, por exemplo, o reconhecimento vocacional de Paulo evidencia que o acolhimento do Evangelho fez dele uma pessoa livre diante de tudo e de todos; fez dele um verdadeiro discípulo de Jesus (2L da solenidade de São Pedro e São Paulo).
Outro exemplo muito interessante, neste sentido, é entender que as celebrações do Ano Litúrgico, as celebrações Dominicais em particular, modela o celebrante a partir do Coração de Jesus, que é manso e humilde (14DTC-A). O celebrante entende que Deus não se manifesta, a exemplo do mundo, com a força do poder agressivo, mas com a força da simplicidade, da serenidade, da aproximação feita com a ternura e com a paz. Entende-se, assim, que quanto mais um celebrante aprender a cultivar a humildade e a simplicidade em sua vida, tanto mais terá um coração semelhante ao Coração de Jesus. Mais será pacificado e pacificador; não precisará se servir do "arco do guerreiro" (1L do 14DTC-A), pois se dedicará a cultivar a mansidão e a humildade do Coração de Jesus (E).
A pedagogia litúrgica do 14DTC-A propõe aos celebrantes a formação de seus corações modelando-os ao Coração de Jesus. Proposta que é completada pela celebração do Domingo seguinte (15DTC-A) que, pedagogicamente, orienta a abrir a vida ao acolhimento da Palavra, tal como a terra se abre à chuva que cai do céu para fertilizá-la em vista de produzir frutos e frutificar em boas obras (1L). O celebrante é ajudado a perceber que sua vida é um terreno a ser cultivado e é neste terreno que se lança a semente da vida divina presente no Evangelho.
Na dinâmica pedagógica do Ano Litúrgico, presente nas celebrações Dominicais, o celebrante é alertado para a presença do mal e da maldade que, também estes, são semeados na vida humana (16DTC-A). Também neste caso, pedagogicamente, a celebração propõe um modo prático de lidar com o mal e com a maldade: não sendo agressivo — querendo arrancar o joio —, mas sendo humano, porque quanto mais humano se é, mais próximo de Deus se está e mais o bem e a bondade tem condições de abafar o mal e a maldade que são cultivados nos canteiros do mundo.
As celebrações aqui propostas como exemplo são (foram) celebradas no mês de julho de 2017. Servem de modelo para se perceber a dinâmica pedagógica da Liturgia em suas celebrações Dominicais. Falta ainda uma celebração, no mês de julho de 2017, o 17DTC-A, que celebra a presença do Reino de Deus no meio do mundo, comparando-o a uma pedra preciosa, pela qual vale a pena vender tudo para obtê-la. Espero não estar propondo nenhuma heresia ao dizer que as celebrações litúrgicas, do ponto de vista pedagógico, mostram o caminho para se obter a pérola do Reino de Deus.
O que fazer, do ponto de vista prático. Duas orientações aos padres e às Equipes de Celebrações. A primeira orientação é considerar o conjunto de celebrações que se afinam no diapasão de um mesmo tema, o que pode acontecer na sequência de dois ou três Domingo, por exemplo. Ou, pode-se pensar em uma pedagogia mensal, com canções, homilia, espaço celebrativo preparados em vista de uma pedagogia específica. No exemplo proposto, celebrações estão afinadas no contexto de plantar e cultivar a semente do Evangelho na vida pessoal e na comunidade.
A segunda orientação, especialmente aos padres, é propor homilias que ajudem os celebrantes a entender a possibilidade prática de adotar comportamentos a partir da Palavra anunciada em cada celebração dominical. O mesmo critério poderá servir para as Missas semanais, mas neste caso, não com homilias longas, mas com breves reflexões. Tudo isso vem ao encontro daquilo que dizia Papa Bento XVI: “a Liturgia evangeliza e é evangelizadora”.

Serginho Valle

Junho de 2017

23 de jun de 2017

Fractio panis et Agnus Dei

Fractio panis. Este foi um dos primeiros nomes com os quais era denominada a Eucaristia. Estamos falando do rito da "fração do pão". É um rito importante, do ponto de vista teológico, mas nem sempre valorizado como mereceria, no contexto ritual da celebração Eucarística.
Esta desvalorização do rito da "fração do pão" pode muito bem ser devido ao desconhecimento do significado do rito. Isso se evidencia quando o padre parte o pão enquanto a assembléia realiza o abraço da paz, por exemplo. Deixa assim, a intercessão do Cordeiro de Deus vazia, uma vez que o rito da Fração do pão é compreendido a partir do canto do Cordeiro de Deus. Em outras palavras, Cordeiro de Deus e Fração do pão formam um único rito. 
Além do exemplo citado, desconsidera-se, ou se desrespeita o rito quando este é realizado de modo apressado, quando o pão é partido em cima da patena, escondido, impossibilitando aos celebrantes de verem a fração do pão. Sendo gesto escondido, do ponto de vista comunicativo, o gesto perde seu sentido. Desconsidera-se o rito, igualmente, quando a fração do pão acontece no momento da Consagração do Pão, na Oração Eucarística. É o caso do padre que pretende dar realismo à Oração Eucarística e, ao dizer as palavras “partiu o pão”, de fato parte o pão. Neste caso dois são os ritos castigados ao mesmo tempo: a Consagração e a Fractio Panis. Uma clara indicação de duplo desconhecimento da função ritual da Oração Eucarística e da função ritual da fração do pão.

O sentido do rito 
A fração do Pão é um rito sacramental e, enquanto tal, fundamentado pela Bíblia e pela Teologia simbólica. Não se trata, portanto, de um gesto prático (qual fosse partir a grande hóstia para melhor ser ingerida), mas de um gesto, repito, sacramental.
O principal sentido Bíblico encontra-se na figura do Cordeiro, a vítima pascal imolada como oferenda a Deus e ao povo, como se lê no relato de Ex 12,1-14. Este relato da Ceia Pascal Judaica é figura daquilo que acontece com o verdadeiro Cordeiro, com a verdadeira vítima, que é Jesus Cristo, com as qualidades descritas por Isaias (Is 53,7) e, igualmente, como apresentado por João Batista (Jo 1,29).
Jesus é apresentado por João Batista como o Cordeiro de Deus, como a oferta sacrifical que o próprio Deus oferece para a Salvação da humanidade. O gesto sacrifical está presente na fração o Pão. É Corpo de Cristo que é repartido como sacramento da doação da vida divina e como alimento divino para a vida humana. 
O Cordeiro é o próprio Jesus oferecido sacrificalmente no altar, como fora oferecido na Cruz. Na Ceia Pascal judaica, que serve como figura, o cordeiro deveria ser sem defeito. Na Cruz e, sacramentalmente, no altar da Eucaristia, Jesus, Cordeiro de Deus, é a vítima pura, sem defeito, da qual nenhum de seus ossos foi quebrado. Como na Cruz, também o altar é o local onde a Igreja "sacrifica" a vítima pura, santa, imaculada — como proclama a Oração Eucarística I —, no sentido de oferecer ao Pai e aos celebrantes a vitima pura, um sacrifício santo e redentor. Tudo isso está representado no gesto ritual da fração do Pão. 
Diante de tal riqueza da Teologia Eucarística, realizar o rito fora do contexto ou de qualquer jeito é empobrecê-lo ou, é um infeliz modo de manifestar o desconhecimento do rito.

Commixtio  
O “gesto sacrifical” da fração do Pão é concluído com um rito chamado commixtio. Rito com o qual o padre coloca uma partícula da hóstia no cálice com o vinho sagrado. Um rito antiquíssimo que, nas origens expressa a comunhão com entre todas as igrejas. Isso acontecia do seguinte modo, na cidade de Roma: o Papa celebrava a Eucaristia e, no momento da fração do Pão reservava um pedaço do pão para ser enviado a cada uma das “estações” (comunidades) da cidade de Roma. O bispo da estação recebia a partícula da hóstia e a depositava no seu cálice com o Vinho consagrado para expressar a comunhão, na Eucaristia, com o Bispo de Roma. Sinal que em todas as igrejas e comunidades se celebra a única e mesma Eucaristia.
Mesmo diante da impossibilidade de, hoje, realizar um rito semelhante, a Igreja conservou o rito com um sentido novo, expresso na oração secreta que é recitada no momento que o padre deposita a partícula no Vinho consagrado: “Esta união do Corpo e do Sangue de Jesus, o Cristo e Senhor nosso, que vamos receber, nos sirva para a vida eterna”. Um gesto simbólico de comunhão que é espiritualizado para manifestar o Dogma Eucarístico da presença de Jesus no Pão e no Vinho consagrados.
Também a commixtio não pode ser feita de modo automatizado, mas realizado com devoção, com calma e em espírito de adoração.
Serginho Valle
2017


16 de jun de 2017

Formigamento na mão do músico

Você entra na igreja, pouco antes da Missa iniciar, e lá esta ele afinando o violão, dedilhando o teclado, batendo (de leve) na bateria. E aquele silêncio tão necessário antes do início da Missa é invadido por rumores. Muitos afinam seus instrumentos antes da Missa; tudo bem, mas que o façam na sacristia ou em outro local, mas fora da igreja. Alguns até o fazem, mas não aguentam o formigamento na mão e começam a tocar, mexer no microfone  e assim comprometem aquela concentração tão importante antes da Missa. Quando tudo deveria silenciar antes da Missa, o músico com formigamento na mão está irrequieto.
Depois, a coisa piora, quando o músico tem formigamento nas mãos. Ele não as controla. Vem o silêncio do ato penitencial, e ele fica dedilhando sua viola. Chega a Liturgia da Palavra, as leituras acontecendo, e o formigamento parece aumentar. Fica lá dedilhando seu violão. São inoportunos e atrapalham a celebração, a concentração e a oração. Não se tocam, mas tocam seu violão porque não estão na celebração, vivem com a mão no violão.
Já participei de celebrações com músicos dedilhando violão e ciscando no teclado durante a homilia. Numa delas, o padre parou a homilia e educadamente pediu que parasse. O músico, grosseiramente e ostensivamente, levantou-se e foi embora. Demonstrou que de educação entendia pouco. Não tinha compreendido ainda que é falta de educação atrapalhar a homilia com seus dedilhados, naquele momento, inoportunos.  
Chega o momento da Oração Eucarística e, lá está ele: a Missa silenciando e ele dedilhando seu violão. Alguns inventam fazer fundo musical no momento da consagração, quando tudo deveria ser silenciosamente quieto. O formigamento em sua mão o leva a ser invasivo até mesmo do silêncio celebrativo. 
Pois é, para não ser invasivo, ele deveria se tocar ou, se for o caso, tratar esse seu formigamento na mão para a celebração não atrapalhar.
Serginho Valle
2017


14 de jun de 2017

Liturgia e missão na messe do Senhor

É pela presença divina na Litrugia que somos convocados, na Liturgia e através da Liturgia, a dar continuidade à mesma missão de Jesus Cristo. Dar continuidade tendo o mesmo olhar de Jesus que, contemplando o tamanho da messe, convida a Igreja a não deixar de interceder por mais operários, porque a messe é grande e poucos são os operários (11DTC-A). É pelo acolhimento da missão evangelizadora de atuar na messe do Senhor que testemunhamos, no meio do mundo, que somos o Povo Santo de Deus. Povo que não vive de uma ideologia ou de um sonho, mas que é chamado a se empenhar a favor do projeto divino. Uma missão que, reconhecidamente, não é fácil, a ponto de inspirar temor e medo a quem se dispõe acolher o convite de Jesus.
Diante da possibilidade do medo, à medida que se conhece a pedagogia litúrgica, entende-se que a Liturgia não celebra ilusões; não esconde a agressividade do mundo, mas proclama pela Palavra que o mundo promove provações. Por isso, traz para suas celebrações a necessidade de crescer na confiança de quem conta com a presença divina no envio missionário e evangelizador. A Liturgia evidencia que o segredo do evangelizador está em confiar em Deus e não ter medo (12DTC-A). Não ter medo nem mesmo daqueles que podem matar o corpo. Não ter medo, como diz Jeremias, do poder dos exércitos que espalham mortes (1L do 12DTC-A). Ter confiança em todos os momentos, porque quem participa do Mistério celebrativo, enche-se da força divina, é envolvido pelo poder de Deus e é enviado a trabalhar na messe do Senhor.
Serginho Valle

2017
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